A EUROPA AOS NOSSOS PÉS! F.C. PORTO CAMPEÃO EUROPEU 2003/2004

sábado, maio 08, 2004

Pedro Santana Lopes

Parabéns F.C. Porto
Deixem-me começar por falar num pormenor que revela a maneira de estar do Futebol Clube do Porto e do seu treinador: quando Derlei marcou o golo, José Mourinho mandou imediatamente aquecer outro avançado, Benny McCarthy. Comesse gesto o treinador do FCP mais uma vez demonstrou a sua envergadura, no que respeita à condução psicológica dos seus comandados, aspecto que tanto o distingue de muitos outros treinadores, uns portugueses outros estrangeiros. Com essa atitude, José Mourinho dizia para dentro do campo que não havia nada a recear e, principalmente, que não se ia por a jogar à defesa, tentando segurar a vantagem que acabara de obter. Mourinho demonstrou aos seus jogadores que acreditava neles e que sabia que eles eram capazes de continuar a controlar o jogo. E, sinceramente, foi esse um dos aspectos mais impressionantes naqueles noventa minutos: na maneira como o FCP teve o controlo do jogo durante praticamente todo o tempo. O FCP trocou muito bem a bola entre si e pressionou muito melhor os adversários quando tinham a bola do que no jogo no estádio do Dragão há 15 dias. É impressionante. É também impressionante a reacção do FCP quando joga fora do seu estádio, porque parece que desce sobre a equipa um impressionante manto de serenidade, que leva a equipa a jogar com uma descontracção absolutamente notável. Como costumo repetir muitas vezes, é fácil dizer bem de quem ganha, mas também sabe quem me lê, que, por mim, prefiro defender quem não está no seu momento mais elevado. Mas com o FCP não há nenhuma hipótese, a não ser dizer bem e não se calar o bem que se pensa. Na verdade, num ano ganhar o campeonato português, a Taça de Portugal e a Taça UEFA e no ano seguinte, para já, ser campeão nacional outra vez, estar na final da Taça de Portugal outra vez e ir à final da Liga dos Campeões, não tem palavras. Ainda por cima, como já tive várias vezes ocasião de sublinhar, os jogadores que vêm fundamentalmente de equipas portuguesas e, nalguns casos, com jogadores rejeitados pelos clubes principais rivais do FCP. É uma grande proeza, enche de orgulho todos os portugueses e, deste sportinguista confesso, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vai um forte abraço de parabéns a todos os portistas na pessoa de Jorge Nuno Pinto da Costa.

Lágrimas no desporto
Para se avaliar bem a forma do futebol, bastava ver hoje as imagens de adeptos do Corunha, quando começaram a perceber que a sua equipa nada podia fazer frente à forca do FCP. Foi impressionante ver, principalmente gente mais nova, rapazes e raparigas, a chorarem, com lágrimas a correrem cara a baixo. O Corunha tem representado aquela
região da Galiza e lá estava o presidente Manuel Fraga Iribarne a dar força aos seus, sem receio de ser criticado por estar no futebol, sendo político e governante. Todo aquele povo, todos aqueles adeptos do Corunha, estavam com a sua equipa e, como foi referido pelos comentadores de serviço, o Corunha já teve alguns momentos de grande tensão em que perdeu nos últimos minutos objectivos importantes, como há dez anos quando perdeu o título de Espanha por ter falhado um penalty no último minuto. Exactamente no mesmo dia em que o Benfica venceu o Sporting por 6-3 em Alvalade, na última época em que foi campeão, até à actualidade. O futebol, o desporto, é isso mesmo: só pode ganhar um, mas foi bonito ver duas equipas que não são da capital dos respectivos países, representarem daquela maneira esses mesmos países, neste caso Portugal e Espanha. Grande Porto que representando Portugal, foi capaz de levar a melhor sobre o Corunha que aqui representava Espanha. Que bem faz o Porto à auto-estima nacional, mas é devida uma palavra de muita simpatia àquela gente nova que chorava pelo seu clube. Chorava com respeito, como se ouvem aqui em Lisboa com respeito e com apoio, por esta altura as buzinas dos carros que passam com bandeiras do FCP.

Que grande árbitro
Ode hoje só pode ir para o árbitro Pierluigi Collina que era de categoria também. Não me lembro quase de um erro em todo o jogo e, a maneira como assinalou aquele penalty, a segurança com que se dirigiu para a marca de grande penalidade foi digna de se ver. Como também o foi, o modo com que mostrou o cartão amarelo, a poucos minutos do fim do jogo, a um avançado do Corunha, que simulou uma falta dentro da grande área do Porto. Que grande árbitro! Em tudo na vida, a classe faz muita diferença etorna tudo mais fácil.

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