A EUROPA AOS NOSSOS PÉS! F.C. PORTO CAMPEÃO EUROPEU 2003/2004

quinta-feira, abril 01, 2004

Palavras de Costinha "O Ministro"

Como é que sente e descreve a mística do F.C. Porto? Como é que se explica que num futebol de milhões, sobretudo depois do acórdão Bosman, uma equipa vinda de um dos países pobres da Europa consiga estar entre as melhores das melhores?
(Miguel Carvalho)

Deve-se a muita coisa. Deve-se ao presidente, porque desde que ele assumiu o cargo o clube só tem tido motivos para festejar, porque é alguém que se emprega de corpo e alma e trabalha para o clube e não se serve dele. Depois, temos um grande treinador, como no passado. Têm estabilidade, porque conseguem trabalhar dois ou três anos seguidos. Só o mister Octávio e, salvo erro, o Quinito, é que tiveram uma curta passagem pelo F.C. Porto como treinador principal, porque Octávio tem um historial imenso como adjunto e como jogador, inquestionável. A estabilidade é a base de tudo, depois a forma como os jogadores sentem a própria camisola. A maneira como vejo o Jorge Costa, o Secretário, o Vítor [Baía], o Sérgio [Conceição], que ganhou uma mística muito forte, saiu e voltou outra vez, é gratificante.

Os mais novos gostam de ouvir os conselhos dos mais velhos e seguem-nos. Por exemplo, em Belém, na época passada, a perdermos por 1-0 o Jorge Costa chega ao balneário ao intervalo e diz: se eu perco o jogo com estes gajos nunca mais jogo futebol na minha carreira. Ficámos a olhar para ele, vermelho e enervado, e ganhámos por 3-1. Acho que é uma boa expressão para perceber o que um jogador como o Jorge Costa sente pelo clube. Qual seria a atitude a tomar pelos colegas numa situação como aquela? Resignar? Será que vão segui-lo? A verdade é que o seguem e isso faz do F.C. Porto uma equipa diferente de todas as outras. Tem um orçamento alto em Portugal, mas se calhar dos mais baixinhos na Europa.

Uma equipa com jogadores como o Maniche, que toda a gente pensava que vinha para aqui encostar-se e é superior a toda a gente, porque quer ganhar, porque quer vencer. Lembro-me que nos primeiros jogos do Derlei as pessoas diziam que ele não marcava golos a ninguém, mas agora é um ídolo. Ao ouvirmos certas coisas também crescemos e também dá-nos qualquer coisinha que necessitamos, um pouco mais de adrenalina, de raiva e juntando isso tudo dá um poder muito forte. Eu sinto que sou uma pessoa escutada, se isso for mística, digo que tenho mística, mas os colegas é que têm de responder.

Eu identifico-me muito com este clube, tanto que quando deixei o Mónaco tive várias propostas. A primeira foi do Benfica, depois o Sporting, mas disse ao meu empresário que em Portugal só negociava com o F.C. Porto. Dei a minha palavra ao presidente Pinto da Costa em Novembro, entretanto saíram notícias nos jornais, ele telefonou-me, mas eu disse-lhe que não falto à minha palavra e assim foi. Acho que o Porto é um clube diferente de todos os outros, já via isso quando era miúdo, numa altura em que o clube era acusado de comprar árbitros e ganhava tudo, mas via os jogos e eles corriam do primeiro ao último minuto. Eles iam a Alvalade, à Luz, saíam dali apedrejados, mas davam o corpo às balas e para mim isso é importante.

É verdade que vocês têm um dia na semana para almoçar juntos (plantel) e discutirem entre vós os problemas que possam surgir entre jogadores?
(Luís Silva)

É verdade, almoçamos todos juntos uma vez por semana. Acho que é importante para a harmonia do grupo, para que os que falam menos se possam exprimir mais à vontade num restaurante, porque há mais galhofa e as pessoas estão mais despreocupadas. É importante entrosar os mais jovens, dar-lhes espaço para dizerem algo mais arrojado. Eu não me importo de ser chamado à atenção por um jovem no jogo ou no treino, eu gosto disso, porque mostra que está interessado. Por vezes o almoço serve para falarmos com alguém que joga menos e chamá-lo a atenção para alguns pormenores, porque um dia, se for chamado, se não trabalhar não pode dizer que a culpa é do treinador, porque ele é que não estava pronto. Posso ficar com azia, mas isso é bom, porque é sinal que uma pessoa quer jogar. O clube paga-lhe para isso. É caso para dizer: agora estás com azia, mas no fim do mês já não estás, porque está lá o salário. Então pensa naqueles que não trabalham e querem trabalhar, que não ganham e não querem ganhar. Se tens possibilidade de trabalhar e ganhar, estás triste? É chato não jogar, mas não passa disso. Em todo o lado do mundo será sempre assim, mas sei que se o Mourinho pudesse jogava com 28 jogadores.

Os jogadores do F.C. Porto parecem todos portistas desde pequeninos. Tem alguma explicação para este fenómeno? (Nuno Pinto)
Não. Não são portistas desde pequeninos, mas sentem o clube, a forma como as pessoas os abordam na rua, a forma como as pessoas trabalham para o clube e para os próprios jogadores e penso que isso é importante. Se as pessoas nos dão, nós também temos de dar. Se formos a ver é capaz de haver poucos portistas genuínos dentro do clube, se calhar há jogadores do Benfica, do Sporting, do Guimarães, não sei, isso não quer dizer que o jogador não dê a sua quota parte ao clube. Ser profissional é isso mesmo.

Se lhe dessem a escolher entre a Superliga, a Taça de Portugal ou a final da Liga dos Campeões, o que escolheria e porquê? (Gustavo Monteiro)
Vencer o campeonato está próximo de ser conseguido. A Liga dos Campeões é uma incógnita, porque são jogos de detalhes. Não posso escolher nenhum, porque gostaria de ganhar os três, embora esteja numa posição privilegiada. Neste momento só o Arsenal pode competir connosco, porque está envolvido em três frentes e também ainda não perdeu nenhum jogo.

Na sua opinião, e na opinião da equipa, acham que o Benfica vai trazer dificuldades no jogo da Taça? (Margarida Guedes)
É óbvio que sim, porque não ganha nada há muito tempo, esta época tem apenas uma competição que pode vencer, e é uma boa equipa. Tem um treinador que aprecio bastante, muito bom. Nós vamos tentar dificultar ao máximo a tarefa deles, porque queremos revalidar o título de campeões da Taça, por isso acho que vão ser 90 minutos de trabalho intenso, de muito bom futebol, de duas equipas que se respeitam mutuamente, mas com um respeito sem respeito, porque também não se pode ser muito bonzinho, porque nestas coisas a bondade também não ajuda. Era a final que nós queríamos, porque é melhor jogar com o Benfica do que com uma equipa mais pequena. Tem mais público, o jogo é mais bonito, se ganharmos é mais interessante, por isso vai ser difícil.
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